segunda-feira, 14 de maio de 2012
Crítica: Spoek Mathambo - "Father Creeper"
Crítica: Buckethead - "Electric Sea"
Crítica: Saint Vitus - "Lillie F-65"
Crítica: Joan Osborne - "Bring It On Home"
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Crítica: "Father Creeper", Spoek Mathambo
Spoek Mathambo
Father Creeper
Sub-Pop
Em 1994, o Planeta libertava-se de um dos fardos mais constrangedores alguma vez gerados pela mão humana. A queda do Apartheid simbolizou tudo aquilo que sabemos e dela germinaram, também, novos movimentos culturais e novos artistas. A mesma semente cresceu num menino que, aos 10 anos, era fascinado pelo hip hop americano. Dezoito anos depois, Nthato Mokgata responde pelo nome de guerra Spoek Mathambo e lança agora o seu segundo álbum, Father Creeper. Um disco alucinante e fervilhante de géneros - o mesmo fervilhar que agitou a Joanesburgo da sua adolescência. Enérgico e desafiador, capta as electrónicas que agitam o mundo, mas também a herança musical sul-africana. E simboliza um avanço dos tempos: é editado pela Sub-Pop, outrora bastião do rock caucasiano (grunge, alternativo, indie, tudo isso), que agora se rende a novas linguagens: as que definem um mundo que se quer reinventar.
Crítica: Rocket Juice & The Moon
Rocket Juice & The Moon
Rocket Juice & The Moon
Honest Jon's
Pegue-se no impulso explorador de Damon Albarn, junte-se o baixo pujante de Flea e a bateria inconfundível de Tony Allen. O resultado é tão explosivo quanto a fórmula: Rocket Juice & The Moon, nome do projecto e do álbum, é puro funk e afrobeat arrancados da terra e transportados numa viagem espacial de tons psicadélicos. Erykah Badu, o rapper do Gana M.anifest e a cantora do Mali Fatoumata Diawara juntam-se à tripulação do supergrupo, acrescentam-lhe soul, hip hop e alma africana, invocam o espírito de Fela Kuti (Allen foi seu baterista) e dançam na poeira cósmica de Sun Ra. Serve a livre expressão como combustível, entre canções de formato clássico e exercícios instrumentais, em jeito de "jam session". Não parar para escutar este disco é perder uma das propostas mais cativantes do momento.
Crítica: Lisbon Bass
Vários
Lisbon Bass
Adam And Liza
Um disco vai para lá do mero registo sonoro. É um documento que cristaliza um momento da história, contada através da música. A compilação Lisbon Bass é disso exemplo, ao capturar a manifestação local de uma cultura global: a bass music à luz da cidade de Lisboa. A recolha é realizada por Rocky Marsiano (veterano da cena hip hop nacional) e Violet (da dupla de rappers A.M.O.R.). Os ritmos e as linhas de baixo são as variáveis de estudo que, combinadas entre si, incendeiam a pista de dança e reafirmam uma Lisboa multicultural, de cruzamento e miscigenação. Dubstep com kuduro, techno com kizomba, house com drum n bass, dub techno com fado. Quatorze dos melhores produtores lisboetas e um lugar que se reclama no panorama global da electrónica. Um documento valioso para os amantes da música de dança e os cientistas sociais.
Crítica: Nina Kraviz
Enganem-se na suspeita: ela não tem qualquer ligação com Lenny. Nascida na Sibéria e radicada em Moscovo, Nina Kraviz é uma DJ que, nos últimos anos, conquistou lugar no circuito do "clubbing". No escuro da pista de dança e na produção, é dona de uma linguagem intrincada e sensual. A sua assinatura é agora revelada ao mundo, no álbum de estreia homónimo. Olhem para a capa e enganem-se novamente: Nina Kraviz não é mais um daqueles discos de "handbag house" polvilhado de "glitter", mas sim um exercício brilhante de técnica e emoção. Batidas cruas de deep house entrelaçam-se com atmosferas intoxicantes, minimalistas, por vezes sombrias. A sua voz emerge, sussurra, anseia, numa pista de dança quase deserta, onde a confissão oscila entre a urgência luxuriante e o eco fantasmagórico. Das pulsações dançantes ao puro “ambient”, a produção analógica confere a este disco textura e corpo. Vale a pena explorá-lo.
segunda-feira, 5 de março de 2012
A Casa é onde o está coração

Sharon Van Etten
Tramp
Jagjaguwar / Popstock
3/5
A pergunta é instantânea: que sons e mensagens se escondem por detrás de um álbum com a palavra Tramp no título? Mais ainda, quando este é editado por uma mulher? Talvez brincando com os automatismos da mente (no inglês corrente, "tramp" não será dos adjectivos mais dignificantes para o sujeito feminino), a palavra eleita por Sharon Van Etten acaba por ser a mais honesta possível - embora não no sentido que estaremos a pensar. Editado em Fevereiro último, Tramp ("vagabundo", na tradução directa) é um álbum que nasceu num período de instabilidade. Durante os 14 meses de gravação, van Etten não teve casa. Dormiu em casa de amigos, manteve os seus bens pessoais guardados por vários lugares... e produziu uma colecção de canções tão honestas como o próprio título.
Fortemente enraízado na tradição folk, o terceiro álbum da compositora e intérprete norte-americana é testemunho de uma vida que, desancorada de espaços físicos, fez da introspecção e da música a sua casa. E isso sente-se nas canções de "Tramp", atravessadas por uma melancolia que, por vezes sabe a amargo ("Give Out"), por vezes é doce ("Leonard"). A interpretação de Van Etten é honesta, em composições que vagueiam entre a beleza simples de "Kevin's", a confrontação de "Serpents" e a sublimação do belíssimo "We Are Fine", um dueto com Zach Condon, dos Beirut. Vagueiam, mas não se perdem: este é um disco coerente e sóbrio. Talvez longo demais, para apontar um senão.
Produzido por Aaron Dessner dos The National, "Tramp" é também um trabalho de colaborações, contando com a participação do já referido Zach Condon e de Matt Barrick dos Walkmen, Thomas Bartlett dos Doveman, Jernn Wasner dos Wye Oak e Julianna Barwick.
Um bom candidato aos mais interessantes do indie rock norte-americano feito em 2012.
Crítica: Sharon Van Etten - Tramp

Crítica:Sharon Van Etten - "Tramp"

Crítica: Sharon Van Etten - "Tramp"

Jagjaguwar/Popstock, 2012
Crítica: Sharon Van Etten - "Tramp"
Jagjaguwar/Popstock, 20124/5quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Aphex Twin - Selected Ambient Works 85-92

Richard David James, mais conhecido por Aphex Twin , AFX ou Polygon Window (entre muitos outros nomes artísticos) é considerado por muitos como "a mais influente e criativa figura da música electrónica contemporânea".
Desde 1991, Aphex explora as sonoridades electrónicas, os novos instrumentos, novas dimensões musicais, dando formas aos sons. Em 1992 pela produtora belga Apollo, lançou o álbum Selected Ambient Works 85-92. Um álbum de música ambiente que explora também o techno, o acid e o drum n’ bass. Um álbum pioneiro no IDM( Intelligent Dance Music) e influente para o que viria a ser a música ambiente actual.
Este fã da electrónica experimental, brinca neste álbum com a textura e a melodia dos sons, transportando-nos para uma viagem arrebatadora e calma.
Treze faixas totalmente diferentes e originais que geram uma dificuldade em caracterizar e “rotular” este álbum. “We Are The Music Makers” conta com um dialogo da versão original do filme “Willy Wonka & The Chocolate Factory” ; “Green Calx” tem uma sonoridade um tanto estranha e misteriosa com batidas de acid; “Heliosphan” tem uma batida hipnótica e altamente viciante revestida por uma melodia dançante enquanto “I” é a música mais relaxante e curta. A qualidade do som não é das melhores e é também um pouco longo, mas para os interessados em descobrir Aphex Twin podem encontrar as remisturas de 2006 e de 2008 com um nível de qualidade superior.
Um trabalho revolucionário, minimalista e actual que pode ser ouvido em qualquer momento da vida. Um “must have” na prateleira de qualquer coleccionador…
domingo, 11 de dezembro de 2011
Crítica: Kate Bush - "50 Words For Snow"

Fish People, 2011
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Crítica: Jurassic 5 - "Power in Numbers"
Interscope, 2002Crítica: Perfume Genius - "Learning"

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Crítica: Moonface - "Organ Music Not Vibraphone Like I'd Hoped"
Jagjaguwar, 2011terça-feira, 29 de novembro de 2011
Crítica: Curren$y - "Verde Terrace"
Warner Bros./Jet Life Recordings, 2011Daqui a alguns anos a comunidade de Hip-Hop vai olhar para trás e perguntar-se quando é que Curren$y tornou-se uns dos melhores rappers do mundo, e como é que ninguém acompanhou esse desenvolvimento.Desde do lançamento de Pilot Talk em 2010, o álbum que carimbou o seu reconhecimento como um dos mais respeitados "low profile" rappers nos estados unidos, Curren$y tem lançado uma grande quantidade de mixtapes de grande qualidade e conta também já com três álbuns desde essa data.Embora a critica por vezes ligue Curren$y a cultura dos Mc's que só rimam sobre erva, como o nosso conhecido Wiz Khaliffa, Curren$y diferencia-se desse estereótipo, com menos exposição e com mais imaginação e consistência no seu trabalho.
Mas o facto de conseguir produzir tanta quantidade de boa musica em tão pouco tempo e mesmo assim permanecer com a atitude de "isto para mim não é nada de novo" é o mais impressionante.Este ano Curren$y lançou a mixtape Verde Terrace produzida pelo Dj Drama e lançada a través da sua própria produtora musical Jet Life em pareceria com a Warner Bros.,isto após ter abandonado a Cash Money/Young Money recordings em 2007, facto que se nota claramente a través da diferente musicalidade das suas produções a partir dai, longe de ser das melhores mixtapes que já ouvi dele, assim como muitas das mixtapes que tem com o Dj Drama, "The Hot Spitta" como é conhecido, mantém-se liricalmente muito forte.
Por outro lado a escolha de beats acaba por ser um pouco repetitiva ou óbvia, e agora com a moda de ir ao baú tentar encontrar o melhor clássico para produzir o melhor mix, curren$y agarra em "Ten Crack Commandments" do Notorious B.i.G e produz o mix "Crack BC", de tantos clássicos que Biggie lançou na vida a escolha nao poderia ser mais infeliz.
Mas beats a parte,o poder lírico do Mc de New Orleans misturado com o flow descontraído a deslizar por entre cada faixa, faz com que as historias que conta ganhem vida tornando-se difícil não prestar atenção a cada letra.Quem ouvir Verde Terrace facilmente poderá reconhecer que trata-se de alguém que consome erva com alguma regularidade...mas ao contrario do batido "weed rapper" e do "weed talk", Curren$y eleva essa conversa para outro nível com metáforas e duplos sentidos, que como o próprio diz manter-se: "lifted like sanctions", conseguindo fazer uma abordagem não tão óbvia e banal como a maior parte dos rappers da actualidade.Pela postura simples que mostra no "rap game" e pela honestidade que empoe nas musicas, muitos duvidam do seu sucesso, por isso ele friza: "Nonchalant, but i'm very aware of what's going on", em "Pinifarina" a terceira faixa do álbum.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Crítica: Gil Scott-Heron - "I'm New Here"
XL Recordings, 2010






